Queria
ter uma máquina do tempo para ver como vou acordar no dia 3 de
dezembro. Talvez com o rosto pintado, talvez coberto por uma bandeira,
talvez eu nem durma.
Queria ter uma máquina do tempo para
preparar o coração hoje de manhã. Avisar que esse Galo não aceita cabeça
baixa em momento algum, mesmo que o placar adverso pareça irreversível.
E na mesma máquina do tempo, voltaria em 1992 para pedir cuidado ao
médico que trouxe Bernard ao mundo – “Coloquem-no em um berço dourado,
blindado e no teste do pezinho, abençoe o que for calçar a chuteira
responsável por passes e gols.”
Voltaria em 1999 para assistir
Ronaldinho encantar o mundo como uma preparação para os dias de
Atlético. Passaria em 2005 para avisar aos irmãos Alvinegros que os
tempos ruins uma hora vão passar.
Em
2008, diria a um jovem Guilherme que a maior alegria de sua vida seria
do outro lado da lagoa. Recomendaria também usar algo por baixo do pano
azul, pois chegaria o dia em que ele teria repulsa pela cor.
Os
dias com a sensação de outro rebaixamento, a vergonha no fim de 2011,
isso eu deixaria acontecer. Talvez tenha sido tudo isso que nos deu essa
sede de gritar “é campeão”, a vontade de mostrar ao país inteiro que
uma camisa preta e branca, com o escudo do Galo, deve ser eternamente
respeitada. Aqueles que desrespeitassem, teriam que ouvir ao fim do jogo
o craque desabafar – “Tudo caladinho nessa por$#..!”
Se eu
tivesse uma máquina do tempo, uma coisa é certa, no dia 3 de dezembro eu
não me encontraria dormindo, pois estaria a comemorar sem hora para
descansar, celebrando a simples existência do Atlético.
Mas uma máquina do tempo deixaria tudo chato. Quero
viver cada gol, cada jogo, cada batida do coração na virada
emocionante. Eu quero chegar em dezembro curtindo cada momento, bom ou
ruim, pois as cicatrizes também servem como troféu no alto do pódio.
Quando
eu chegar à velhice, aí sim, volto no tempo para lembrar de vitórias
como a de hoje, justificando toda uma vida ao lado do Clube Atlético
Mineiro.

Nenhum comentário:
Postar um comentário